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Diagnóstico Precoce da Escoliose: por que identificar a curva na fase inicial faz toda a diferença


A escoliose idiopática pode surgir durante a infância e a adolescência, principalmente nos períodos de crescimento acelerado. Na escoliose idiopática do adolescente, a fase de maior risco para o aparecimento e progressão da deformidade coincide com o pico de crescimento da puberdade, geralmente entre os 10 e 14 anos de idade.

Uma das características mais importantes dessa condição é que sua evolução costuma ocorrer de forma silenciosa. Na maioria dos casos, não há dor ou outros sintomas evidentes, o que faz com que a escoliose possa passar despercebida por meses ou até anos.


O diagnóstico da escoliose é estabelecido quando o ângulo de Cobb, medido por meio de radiografias, é superior a 10 graus. De maneira geral, as curvas podem ser classificadas em:


  • Leves (10° até 20°): normalmente tratadas com exercícios específicos para escoliose;

  • Moderadas (21° a 40°): tratadas com exercícios específicos associados ao uso de colete ortopédico;

  • Severas (acima de 40°): podem exigir avaliação para tratamento cirúrgico, dependendo do potencial de progressão da curva, das limitações funcionais e do impacto na qualidade de vida do paciente.


Por isso, um olhar atento da família pode fazer toda a diferença. Alterações como desnível dos ombros ou dos quadris, assimetria da cintura, escápulas mais proeminentes e uma maior elevação de um lado das costas quando a criança se inclina para frente são sinais que merecem investigação.


Nas fases iniciais, as alterações posturais costumam ser discretas e podem passar despercebidas, especialmente quando a criança ou adolescente está vestido. Consequentemente, muitos casos acabam sendo diagnosticados apenas quando a curva já se encontra em estágio moderado ou grave.


Esse diagnóstico tardio frequentemente traz repercussões emocionais importantes para toda a família. Pais e responsáveis podem sentir culpa por não terem percebido os sinais precocemente, mas é importante destacar que a escoliose idiopática é uma condição de evolução silenciosa e que o reconhecimento dos primeiros sinais nem sempre é simples.

Nesse contexto, estratégias de rastreamento têm papel fundamental na detecção precoce da doença.


A realização de programas de triagem em escolas, especialmente em crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, utilizando o Teste de Adams associado à avaliação postural, pode contribuir para a identificação de casos suspeitos.Os casos identificados durante a triagem devem ser encaminhados para avaliação clínica especializada, permitindo a confirmação diagnóstica e o início do tratamento no momento mais oportuno.

 

Além disso, a incorporação do Teste de Adams na rotina de consultas de pediatras, hebiatras e outros profissionais que acompanham crianças e adolescentes representa uma importante ferramenta para o diagnóstico precoce.


Detectar a escoliose precocemente significa ampliar as possibilidades terapêuticas, reduzir o risco de progressão da curva e proporcionar um acompanhamento mais eficaz. Quanto mais cedo a escoliose é identificada, maiores são as chances de preservar a função, minimizar o impacto estético e emocional e promover uma melhor qualidade de vida para crianças e adolescentes.


Dra.  Ana Cristina Sakamoto


Fisioterapeuta graduada pela UFMG, com especialização em Fisioterapia em Ortopedia e Esportes e Mestrado em Ciências da Reabilitação. Possui ampla experiência acadêmica, tendo atuado como docente em importantes instituições de ensino e coordenado cursos de pós-graduação na área de Fisioterapia Ortopédica.


Conta ainda com certificações em BSPTS, RPG, Mulligan, Pilates, Terapia Manual e Estabilização Muscular Dinâmica, com atuação voltada à reabilitação da coluna e ao tratamento conservador da escoliose. 

 
 
 

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