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O papel do controle motor no tratamento da escoliose

A escoliose não afeta apenas o formato da coluna, mas também a forma como o corpo mantém a postura no dia a dia. Por isso, é comum que muitos pacientes consigam corrigir o alinhamento quando orientados, mas tenham dificuldade em manter essa correção ao longo do tempo.


Isso acontece porque o sistema nervoso central se adapta à postura habitual. Com a progressão da deformidade, essa organização passa a ser reconhecida como padrão, o que dificulta a manutenção da correção de forma espontânea.


Dessa forma, a reabilitação não deve se restringir ao fortalecimento muscular isolado. O foco precisa estar no treinamento do controle motor e da autocorreção, ou seja, na capacidade de perceber, ajustar e manter o alinhamento em diferentes situações.

 

Evidências e a Abordagem SEAS

As evidências atuais, alinhadas às diretrizes da SOSORT (NEGRINI et al., 2018), indicam que os Exercícios Específicos para Escoliose (PSSE) têm papel relevante no tratamento conservador.


Entre essas abordagens, destaca-se a Abordagem  SEAS (Scientific Exercise Approach to Scoliosis), que se baseia na autocorreção tridimensional ativa. O paciente é treinado para alinhar a coluna nos três planos e manter essa correção durante tarefas funcionais. Estudos recentes mostram efeitos positivos na estabilização da curva, com impacto também no ângulo de Cobb em alguns casos (NEGRINI et al., 2025), especialmente quando há boa adesão ao tratamento e acompanhamento adequado.

 

Como o tratamento atua

Na Abordagem  SEAS, a autocorreção não é um movimento isolado, mas uma habilidade que precisa ser desenvolvida e aplicada em diferentes contextos. Após aprender a corrigir o alinhamento, o paciente é progressivamente desafiado a manter essa organização durante atividades do dia a dia, como sentar, caminhar ou estudar.


Esse processo melhora a eficiência do controle postural e facilita a manutenção do alinhamento com menor esforço consciente. Sem essa integração, é comum que o paciente consiga corrigir durante o exercício, mas não sustente essa postura fora do ambiente terapêutico.

 

Transferência para as atividades diárias

A eficácia do tratamento depende diretamente da capacidade de transferir o que é aprendido para o cotidiano. O objetivo é que o alinhamento passe a ser mantido de forma mais automática durante as atividades habituais. Quando isso ocorre, há melhora do controle postural, redução da sobrecarga muscular e maior estabilidade da coluna ao longo do tempo.

 

Considerações finais

O tratamento da escoliose baseado em evidências vai além do fortalecimento muscular. Estratégias que priorizam a autocorreção ativa, o controle motor e a integração no dia a dia permitem resultados mais consistentes, especialmente durante o período de crescimento. O acompanhamento profissional e a regularidade na prática dos exercícios são fatores essenciais para a evolução do quadro.



Autora: Vânia Medeiros De Antonio

 

Referências

NEGRINI, Stefano et al. Comparative efficacy of six types of scoliosis-specific exercises on adolescent idiopathic scoliosis: a systematic review and network meta-analysis. European Spine Journal, 2025.

NEGRINI, Stefano et al. 2016 SOSORT guidelines: orthopaedic and rehabilitation treatment of idiopathic scoliosis during growth. Scoliosis and Spinal Disorders, v. 13, 2018.

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