Um Olhar Inovador sobre a Fadiga Muscular Paravertebral – Ganhador do SOSORT AWARD 2025!
- Tratando Escoliose

- há 9 horas
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Desvendando como a assimetria na recuperação de oxigênio dos músculos da coluna podem influenciar na performance e função muscular do portador de escoliose

Um estudo premiado no SOSORT 2025 (SOSORT Award) trouxe um olhar inovador sobre a fadiga dos músculos paravertebrais em adolescentes com Escoliose Idiopática do Adolescente (EIA). A pesquisa investigou como esses músculos usam e recuperam oxigênio após esforço, e mostrou que a recuperação pode ser diferente entre os dois lados da coluna, especialmente na região torácica.
Os autores usaram a NIRS (espectroscopia de infravermelho próximo), uma técnica não invasiva que funciona como um “olho” para medir a oxigenação muscular por meio de luz.
O teste aplicado foi de extensão isométrica do tronco (manter a postura contra resistência). As medições ocorreram em T9 (tórax, próximo ao ápice da curva) e L3 (lombar). O principal desfecho foi o Tempo de Recuperação (Tr) — quanto tempo o músculo leva para “reoxigenar” após o esforço — e a assimetria entre os lados desse tempo foi chamada de TrAsy.
Principais achados
Em adolescentes com EIA, o lado côncavo na altura de T9 apresentou recuperação de oxigênio mais lenta (Tr maior) do que o lado convexo.
A assimetria de recuperação (TrAsy) foi mais evidente em curvas moderadas a graves (ex.: Cobb ≥ 25°), sugerindo que quanto maior a curva, maior o desequilíbrio funcional.
Houve associação significativa entre TrAsy em T9 e a gravidade da curva torácica (ex.: β = 0,62; R² = 0,46; p < 0,001).
A assimetria foi maior em curvas torácicas únicas do que em curvas duplas (torácica + lombar).
Em L3, não apareceu uma assimetria relevante — indicando que o impacto muscular pode ser regional, mais forte no tórax.
O que isso pode significar na prática clínica
Esses resultados ajudam a entender por que alguns pacientes com escoliose relatam cansaço, desconforto e menor “resistência” de um lado do tronco. Uma recuperação mais lenta no lado côncavo pode estar ligada a:
maior fadiga local e menor endurance
hipóxia relativa e/ou perfusão menos eficiente
sobrecarga biomecânica assimétrica e controle neuromuscular menos eficiente naquela região

Para a reabilitação, o estudo reforça a importância de programas que vão além de “fortalecer”: é essencial trabalhar endurance, controle motor, progressão de carga e intervalos de recuperação, com atenção especial ao lado côncavo torácico quando a curva é torácica.
Limitações e próximos passos
O estudo é transversal (fotografia de um momento). Portanto, ele mostra associação, mas não prova causa (não dá para afirmar que a assimetria causa progressão). Próximos passos incluem estudos prospectivos e integração com outras medidas, como EMG e MRI, para entender melhor mecanismos e aplicações clínicas.
Em resumo: a NIRS pode abrir caminho para um marcador funcional interessante no futuro, ajudando a monitorar resposta ao tratamento e, possivelmente, identificar perfis com maior risco — mas ainda precisa de validação.

Referência: https//doi.org/10.1007/s00586-025-09313-x




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