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Eu trato, tu tratas, nós tratamos!

Dentre as escolioses, a idiopática do adolescente é a mais prevalente, 0,47 a 5,2% na literatura atual (Konieczny, 2013).

Vivemos a história da evolução do tratamento: de coletes gessados e cirurgias precárias com muitas complicações, chegamos aos coletes modernos, feitos sob medida e com grande capacidade de correção multiplanar. Técnicas cirúrgicas e implantes mais modernos nos dão segurança para afirmar que a cirurgia para este tipo de doença é sim segura.

 

Curvas acima de 50 graus ou com progressão documentada acima deste valor angular têm indicação de tratamento cirúrgico, não há dúvidas (será?)! Entretanto, operar ou não estes pacientes depende de uma conjunção de fatores além da indicação médica: concordância do(a) paciente, da família, condições adequadas dentre outras.

 

Apesar de todo o conhecimento com relação ao procedimento cirúrgico e aparente consenso na sua indicação, não temos o conhecimento completo desta doença.

  • “De onde ela vem Doutor?”

  • Um gene, mais genes? Alterações mecânicas? Fatores ambientais? Todos eles juntos? NÃO SEI!

 

Ignorar a causa exata da doença interfere diretamente no seu tratamento. Tratamos a consequência da sua evolução e não a sua causa.

 

Ainda mais: entre o desconhecimento da etiologia da escoliose idiopática do adolescente e sua indicação cirúrgica há um oceano azul.

 

Muitos coletes diferentes. Muitas escolas de fisioterapia específica diferentes, que talvez misturadas tenham melhores resultados. Também não sabemos (ainda!).

 

Sabemos que esta doença necessita de acompanhamento médico, fisioterápico, psicológico por vezes. Nosso papel, como médicos, se resume a acompanhamentos espaçados, nossas consultas são relativamente breves. Olhamos a evolução ao longo dos meses.

 

Por outro lado, o tratamento fisioterápico é infinitamente mais intenso e crucial na fase não cirúrgica da escoliose. Os dias e semanas são compartilhados durante as sessões de fisioterapia e daí vem o compartilhamento do sofrimento, das angústias, o nascimento da empatia e intimidade com um adolescente amedrontado.

 

Não temos um dono do conhecimento em nenhum dos vários domínios desta doença. Temos um compartilhamento de responsabilidades e conhecimentos complementares.

 

Enfim, nenhuma escoliose é tratada sem um time multidisciplinar na essência do seu significado. Médicos e fisioterapeutas que não dialogam não deveriam se aventurar nesta jornada.

 

Conteúdo Autoral desenvolvido pelo Dr. Denis Sakai
Conteúdo Autoral desenvolvido pelo Dr. Denis Sakai

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